Sistema De Medidas – Real Deal!

Postado em Noosfera com as tags , , , em agosto 17, 2011 por yohankoh

Potências de Dez

Para caramba = infinito
Para kct = 100.000
Uma porrada = 10.000
Uns mil = 1.000
Um monte = 100
Uma pá = 10
Um pouco = 1
Um cisco = 0,1
Um pentelhésimo = 0,01
Porra nenhuma = 0,001
Nem que a vaca tussa = 0,000001
Um culhonésimo = 0,000000000000001
Nem fodendo = 0

Porcentagem

Tudo = 95%
Quase tudo = 90%
Todos = 85%
Quase todos = 80%
Pouco mais de meio = 60%
Metade = 40%
Pouco menos de meio = 30%
Necas = 15%
Nada = 10%
Quase nada = 5%
Insignificante = 3%
Nadica de nada = 2%
Tiquinho = 1%
Merreca = 0,1%
Merrequinha = 0,01%
Pentelhésimo = 0,001%

Volume

Gole (de cerveja) = 600 ml
Gole (de chopp) = 300 ml
Gole (de caipirinha) = 250 ml
Gole (de pinga) = 100 ml
Gole (de café) = 50 ml
Gole (de água) = 25 ml
Gole (de leite) = 2,6 ml
Gole (de remédio) = 2,5 ml
Balde = 7.500 ml
Mijão = 500 ml
Mijinho = 30 ml
Pinginho = 2 ml
Gota = 0,1 ml
Cheiro = 0,01 ml
Cheirinho = 0,001 ml

Graus de Precisão

Nas coxas = erro de ± 30%
Gambiarra = erro de ± 20%
Maisoumenos = erro de ± 10%
Exatamente = erro de ± 5%
Perfeito = erro de ± 4%
Na lata = erro de ± 3%
Na bucha = erro de ± 2%
Na mosca = erro de ± 1%
Na pleura = erro de ± 0,05%
Na veia = erro de ± 0,03%
No olhinho do… = erro de ± 0,1%

Tempo

Semana = 14 dias (úteis)
Fim de semana = 1 dia
Um tirinho = 12 horas
Duashoras = 5 horas
Vapt-Vupt = 1 hora
Umminutim = 30 minutos
Ummomentim = 20 minutos
Rapidinho = 5 minutos
Pá-pum = 1 minuto
Instante = Infinito
Instantinho = Um pouco menos que um instante

Massa

Pedação = ± 400 gramas
Pedaço = ± 200 gramas
Pedacinho = ± 100 gramas
Belenga = ± 50 gramas
Belenguinha = ± 25 gramas
Pentelho = ± 10 gramas
Farelinho = ± 1 grama

Velocidade

A milhão = 170 Km/h
A mil = 160 Km/h
A cem = 120 Km/h
A dez = 80 Km/h
Rastejando = 60km/h
Vindo de ré = 40km/h

Comprimento

Parmo = 30 cm (compra)
Parmo = 20 cm (venda)
Quilômetro = 600 m (ida)
Quilômetro = 1.400 m (volta)

Unidades Baianas

Páporra = Bastante
Pádaná = Muito
Pápeste = Lonjão
Pádiabo = Caro
Virado na bixiga = Rápido
Armengue = ver Gambiarra

Small Pox

Postado em Noosfera com as tags , , , em novembro 17, 2010 por yohankoh

Inspirado pelo ultimo EP de House, segue um texto sobre Variola que achei bem interessante:
fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Varíola

A varíola é uma doença infecto-contagiosa causada por um Orthopoxvirus, um dos maiores vírus que infectam seres humanos. O seu genoma é de DNA e é dos mais complexos existentes. Matou quase 500 milhões de pessoas só no século XX.
O vírus entra na célula por ligação a receptor membranar especifico e fusão do seu envelope com a membrana celular. Cada célula infectada é destruída com produção de 10000 novos vírions.
Ela teria surgido na Índia, e foi responsável mais provável da epidemia misteriosa catastrófica que em Atenas matou um terço da população segundo Tucídides, o que iniciou o declínio dessa civilização – a doença era anteriormente desconhecida e desapareceu a seguir.
Depois matando grande proporção da população totalmente não imune do Império romano, como mais tarde faria na América, e sendo a factor principal do declínio dessa civilização. Na China o panorama terá sido semelhante, e também aí caiu pela mesma altura o Império Han.
No Brasil, Juntamente com o Sarampo e Varicela, ela matou mais de 90% da população nativa do continente, derrotando e destruindo as civilizações Asteca e Inca.
Edward Jenner em 1796 reparou que as mulheres que retiravam o leite às vacas não apanhavam varíola e descobriu que a sua imunidade devia-se à infecção não perigosa com cowpox (vaccinia ou varíola das vacas, da palavra em Latim para esse animal, vacca). Ele propagou a prática de usar para inoculação antes o vírus vaccinia descobrindo a vacina contra a varíola, a primeira vacina criada.
Classificada como uma das enfermidades mais devastadoras da história da humanidade, a varíola foi considerada erradicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1980. Foi possível eliminar a varíola porque só os seres humanos lhe são hospedeiros, só há um serotipo (logo a imunização protege contra 100% dos casos).
No entanto, a doença voltou às manchetes de jornal, em virtude da suposição de que ela possa ser utilizada como arma biológica.
A varíola não tem cura. O unico metdo eficaz eha vacinacao.

- O vírus hoje é guardado em dois centros governamentais bem vigiados, o Laboratório de Controle de Doenças (CDC) de Atlanta, EUA e pelo Instituto Vector em Novosibirsk, na Rússia. A OMS pede que as amostras sejam destruídas, mas há resistência de alguns cientistas contra esta decisão

Notas: Na India ha a Deusa da Varíola, Sitala.
Vítimas famosas:
Ramsés V, Faraó do Antigo Egipto.
Ludwig van Beethoven foi infectado mas sobreviveu.
Josef Stalin
Date Masamune, general japonês das tropas de Oshuu no Período Sengoku foi infectado mas sobreviveu.

Parar – Reminiscências

Postado em S1 - por Marcelo Varanda com as tags , , , , , , , em novembro 4, 2010 por yohankoh

Percebo que você já começou a fazer sua parte.
Começou a não fazer nada: a parar.
Hoje você não me cumprimentou quando chegou, nem me disse tchau quando se foi…
Obrigado.

Tão ordinário e ainda tão profundo
Essa guerra perdida, esses e outros sorrisos
Alguém no fundo gritou: “hit where it hurts” – acerte onde dói
Os cabelos passam e o cheiro fica no ar como se em perfume fossem embebidas as navalhas do funesto destino
É preciso parar…

Parar – Absolutamente Nada

Postado em S1 - por Marcelo Varanda com as tags , , , , , em agosto 17, 2010 por yohankoh

É importante que eu pare agora!
Vamos! vamos parar com isso…
Não vou fazer mais nada das coisas que faço pra você, mesmo querendo fazê-las.
Caso contrário, haverá esse sofrimento escondido, filho desse amor escondido.
E não quero discutir se é amor ou se é gostar, prefiro pensar que gostar é uma forma de amor.

Eu disse escondido? Quis dizer descarado, descabido.
Que só posso pensar que você sabe e finge não saber.

Preciso não fazer mais nada pra você, pra você nem sequer ter de pensar se faz ou não algo pra mim.
Se é que você pensa nisso.
Você pensa em mim, mesmo que alguma vez no meio do dia? Mesmo que sem querer?
Talvez eu prefira que seja sem querer. Que você pense assim em mim, como eu penso assim em você.
Mas não posso acreditar nisso.

Caso contrário, eu ficarei assim, ligeiramente atordoado por uma felicidade trópega
toda vez que você me deixar lhe cuprimentar mais próximo à boca…
toda vez que fizer questão de me contar algo…
toda vez que me pegar pelo braço e me arrastar centímetros daqui até aqui ao lado…
toda vez que eu disser uma coisa engraçada e você sorrir… sorrir de verdade como você faz.
A cada coisa que quer dizer tudo e absolutamente nada.

100 Melhores Canções do Hard Rock

Postado em Noosfera em julho 2, 2009 por yohankoh

O canal VH1 publicou uma pesquisa que aponta as “100 Melhores Canções do Hard Rock”

01. GUNS N’ ROSES – “Welcome To The Jungle”
02. AC/DC – “Back In Black”
03. LED ZEPPELIN – “Whole Lotta Love”
04. BLACK SABBATH – “Paranoid”
05. METALLICA – “Enter Sandman”
06. THE WHO – “Won’t Get Fooled Again”
07. NIRVANA – “Smells Like Teen Spirit”
08. AEROSMITH – “Walk This Way”
09. VAN HALEN – “Running With The Devil”
10. MOTÖRHEAD – “Ace Of Spades”
11. DEEP PURPLE – “Smoke On The Water”
12. JUDAS PRIEST – “Breaking The Law”
13. DEF LEPPARD – “Photograph”
14. IRON MAIDEN – “Run To The Hills”
15. MÖTLEY CRÜE – “Dr. Feelgood”
16. KISS – “Rock And Roll All Nite”
17. TWISTED SISTER – “I Wanna Rock”
18. SCORPIONS – “Rock You Like A Hurricane”
19. RUSH – “Tom Sawyer”
20. BON JOVI – “You Give Love A Bad Name”
21. LED ZEPPELIN – “Kashmir”
22. THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE – “Hey Joe”
23. OZZY OSBOURNE – “Crazy Train”
24. IRON BUTTERFLY – “In-A-Gadda-Da-Vida
25. THE RAMONES – “Blitzkreig Bop”
26. LYNYRD SKYNYRD – “Freebird”
27. WHITESNAKE – “Still Of The Night”
28. FOO FIGHTERS – “Everlong”
29. JOAN JETT – “Bad Reputation”
30. PEARL JAM – “Evenflow”
31. AC/DC – “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”
32. TED NUGENT – “Cat Scratch Fever”
33. GREEN DAY – “Basket Case”
34. HEART – “Barracuda”
35. ALICE COOPER – “School’s Out”
36. VAN HALEN – “Hot For Teacher”
37. THE WHO – “My Generation”
38. QUEEN – “Stone Cold Crazy”
39. BOSTON – “More Than A Feeling”
40. POISON – “Talk Dirty To Me”
41. QUIET RIOT – “Cum On Feel The Noise”
42. THE CLASH – “Should I Stay Or Should I Go”
43. DIO – “Holy Diver”
44. CREAM – “Sunshine Of Your Love”
45. FOGHAT – “Slow Ride”
46. ANTHRAX – “Madhouse”
47. KID ROCK – “Bawitdaba”
48. KORN – “Freak On A Leash”
49. IGGY POP AND THE STOOGES – “Search And Destroy”
50. RED HOT CHILI PEPPERS – “Give It Away”
51. MEGADETH – “Peace Sells”
52. THE RUNAWAYS – “Cherry Bomb”
53. STEPPENWOLF – “Born To Be Wild”
54. FAITH NO MORE – “Epic”
55. BLUE ÖYSTER CULT – “Don’t Fear The Reaper”
56. WARRANT – “Cherry Pie”
57. THE KINKS – “You Really Got Me”
58. STONE TEMPLE PILOTS – “Interstate Love Song”
59. BILLY SQUIER – “The Stroke”
60. SKID ROW – “18 And Life”
61. RATT – “Round And Round”
62. DOKKEN – “Breaking The Chains”
63. SURVIVOR – “Eye Of The Tiger”
64. ROLLINS BAND – “Liar”
65. MC5 – “Kick Out The Jams”
66. EUROPE – “The Final Countdown”
67. ZZ TOP – “Tush”
68. WHITE ZOMBIE – “More Human Than Human”
69. LIVING COLOUR – “Cult Of Personality”
70. FOREIGNER – “Hot Blooded”
71. JANE”S ADDICTION – “Mountain Song”
72. PAT BENETAR – “Heartbreaker”
73. THIN LIZZY – “Jailbreak”
74. THE CULT – “Love Removal Machine”
75. WHITE STRIPES – “Seven Nation Army”
76. LITA FORD – “Kiss Me Deadly”
77. SOUNDGARDEN – “Black Hole Sun”
78. BAD COMPANY – “Feel Like Making Love”
79. BILLY IDOL – “Rebel Yell”
80. JOURNEY – “Any Way You Want It”
81. BLACK SABBATH – “Heaven And Hell”
82. RAINBOW – “Since You”ve Been Gone”
83. EVANESCENCE – “Bring Me To Life”
84. W.A.S.P. – “I Wanna Be Somebody”
85. VELVET REVOLVER – “Slither”
86. MARILYN MANSON – “The Beautiful People”
87. WINGER – “Seventeen”
88. ALICE IN CHAINS – “Would?”
89. ANDREW W.K. – “Party Hard”
90. JETHRO TULL – “Aqualung”
91. SMASHING PUMPKINS – “Bullet With Butterfly Wings”
92. NIGHT RANGER – “Don”t Tell Me You Love Me”
93. AUTOGRAPH – “Turn Up The Radio”
94. THE DARKNESS – “I Believe In A Thing Called Love”
95. CREED – “Higher”
96. KANSAS – “Carry On Wayward Son”
97. EDGAR WINTER”S GROUP – “Frankenstein”
98. BUCKCHERRY – “Lit Up”
99. GRAND FUNK RAILROAD – “We”re An American Band”
100. SAMMY HAGAR – “I Can”t Drive 55”

Cem Mortes (Parte II)

Postado em S1 - por Marcelo Varanda com as tags , , , , , , , , em junho 20, 2009 por yohankoh

Um calafrio. Acreditou que seu coração iria disparar, acelerar subitamente. Até seria compreensível se o fizesse. Entretanto, não o fez, o que era mais difícil de compreender. Por outro lado, isso queria dizer que ele estava bem, não? Que nada daquilo tinha de fato lhe afetado… sequer ocorrido, não é? E o fato de ele não conseguir parar de olhar para o lado ou para trás mesmo sem o movimento das folhas ou do vento para lhe chamarem a atenção, também era nada. Nada demais. Só – vamos dizer – estava olhando por precaução, certo? (tudo bem para você?)
A coisa era mais ou menos assim: John voltara outra vez a caminhar, mas deixara de olhar as fotos; já não ligava – muito – para isso ou para o cheiro das flores, ou até para o modo que aquelas estátuas se moviam, moviam seus olhos e o observavam. Bem, para ele pareciam estar observando. Dava alguns passos – dois ou três; com coragem quatro – seus pés esmagando alguns pedregulhos e o som às vezes lhe provocando, lhe enchendo a mente. Então acelerava, quase chegando a correr; subitamente parava e olhava para trás ou para o lado, só para ver que havia ninguém lá. E havia sempre ninguém.
Olhou novamente uma fotografia, pregada numa pedra, numa estrutura de pedra, e a olhou casualmente.
Meu Deus! Era impossível que não houvesse percebido antes. E também era impossível que sua mente houvesse lhe pregado uma peça tão grande durante tanto tempo. Como também era impossível que tudo aquilo fosse real. No entanto, estava vendo com seus próprios olhos…
Não havia rostos naquelas fotos. Por isso não encontrara quem estava procurando. Ele estava procurando alguém? Não! Ao menos, achava que não. Não se lembrava. O que estava fazendo ali?
Correu. Sua cabeça ia de um lado para o outro sem parar, mas seu pescoço não doía, seu cérebro estranhamente não acusava dor. Estava certo. Sombriamente certo. Não havia rastros. Não havia Lua nos céus, apenas nuvens carregadas. Algumas poucas luzes lusco-fuscas naquele lugar escuro, naquela noite escura. E não havia por quê. Aparentemente não havia por que, como aparentemente não havia dor. Embora ele pudesse afirmar com certeza que não havia. Que estava certo. Sombriamente certo.
Nossa! – de repente muitas coisas lhe vieram à mente e ficaram claras, ou talvez horrendamente mais escuras, sombrias. E vieram em formas de perguntas. O que aconteceu? Que blusa é essa? Uma jaqueta? Ele não se lembrava de ter comprado uma. De fato, não se lembrava sequer quando foi que a vestiu e por quê. A última coisa que se lembrava era de estar parado em algum lugar entre as ruas seis e sete.
Começou a entrar em pânico. Se é que já não havia entrado em pânico antes. Será? Não se lembrava ao certo. Tirou rapidamente, desajeitado, a jaqueta – como se sentisse nojo dela. Na verdade sentia, só não se lembrava por quê. Jogou-a no chão em algum lugar naquele lugar escuro, no chão de pedregulhos, e na mesma hora o vento que antes apenas brincava com as folhas, brincava com ele, passou a congelá-lo, e ele levou os braços para junto ao corpo, apertando, numa espécie de abraço em si próprio.
Talvez achasse estranho não lembrar quando os removera dali; mas isso só se se recordasse de já tê-los levado ao corpo antes.
Estava perdido, talvez como estivera toda a noite. Talvez não.
Seu corpo tremia, e não era de frio. Algumas lágrimas que lhe escapavam dos olhos confirmavam isso. Estava realmente assustado – para ele, abruptamente assustado, e sem motivo –, estava com medo. Mas nunca teve medo de ficar sozinho, mesmo antes de dormir quando era pequeno. Sua mãe sempre lhe dizia: “que menino corajoso!”. Tampouco tinha medo do escuro. O que ele temia era o fato de talvez não estar realmente sozinho.

* * *
Levou a mão ao nariz. Iria assuá-lo, mas não o fez.
Um cheiro conhecido, mas, não obstante, diferente do cheiro das flores o fizera hesitar. Um cheiro mais nauseante, ligeiramente doce, mas não exatamente.
Olhou em volta procurando alguma luz, um lugar iluminado para que pudesse transformar dúvidas em certezas. Não! Para que pudesse desmenti-las. O problema é que ele não precisava de luz para ter certeza, e não havia como ter dúvida – e ele sabia disso.
Levou ambas as mãos à frente do rosto, o suficiente para enxergá-las. Mas não abriu os olhos. Não se lembrava do momento em que os fechara…
Não importava.
Sentiu sua camisa empapada com algum líquido viscoso que a prendia ao corpo; porém, não estagnava o frio. Gostaria de ter algo com o que se cobrir. Mesmo que fosse uma jaqueta, e mesmo que não gostasse de jaquetas…
Não importava.
Abriu novamente os olhos. Foi mais difícil do que era normalmente, mas mais fácil do que julgou que seria.
Sua camisa branca havia ficado vermelha. Mas como? Talvez realmente ficasse espantado se lembrasse o motivo, mas de algum modo sabia que somente havia se lembrado que a camisa um dia possuiu a cor da neve porque ainda restavam nela alguns pedaços que o vermelho viscoso não manchara – ainda.

* * *
Algum tempo passou e ele reabriu os olhos. Não foi muito tempo. Na verdade, ele não saberia dizer se foi ou não. Nem sequer lembrava de tê-los fechado novamente, nem de tê-los fechado alguma vez antes. Viu o céu. Não havia estrelas, só nuvens carregadas e escuras. Procurou levantar, mas não conseguiu. O corpo não se movia, não respeitava suas ordens. E, o que era pior… Exato!… Ele não se lembrava, não conseguia se lembrar, quando ou como havia parado ali, deitado naquele chão de pedregulhos daquele lugar escuro, naquela noite escura.
– Meu Deus! – pensou. Talvez tenha dito, mas não se lembrava se sua boca se movera no outrora corriqueiro abrir e fechar que fazia sem pensar.
Vou morrer!
– Ninguém morre aqui, John – ele ouviu uma voz dizendo; dessa vez tinha certeza, mesmo não se lembrando da vez que não tivera, mas não conseguia compreender, apesar de se tratar de uma frase simples, o que ela queria dizer.

Cem Mortes (parte I)

Postado em S1 - por Marcelo Varanda com as tags , , , , , , , , em junho 15, 2009 por yohankoh

Ele caminhava assustado entre as ruas seis e sete. Olhava cada uma daquelas pessoas nas fotos pelo caminho. Não que as conhecesse. Não que se lembrasse. Na verdade, não se lembrava ao certo do motivo que o levara até ali, até aquele lugar escuro, sombrio, em algum lugar entre as ruas seis e sete.
Já era noite e o frio aumentara, fazendo com que ele levasse as mãos aos ombros; os braços à frente do corpo, numa espécie de abraço em si mesmo. Havia algo lhe cobrindo o corpo por cima da camiseta, uma espécie de jaqueta, mas ele não se lembrava de tê-la colocado, ou quando. Possuía só uma vaga lembrança. E era bom estar protegido, digamos que aquilo fora providencial, então ele não ligou para o fato. Não naquele momento.
O cheiro das flores também era forte. Não que ele não gostasse do cheiro de flores, mas algo naquele lugar estava começando a fazer com que ele passasse a não gostar.
– Sente o cheiro as flores, John? Ele não lhe agrada mais? – o homem pareceu ouvir.
Poderia até achar que se tratava de sua própria consciência. Mas, a não ser que tenha voltado muito no tempo, ou acreditasse nisso, estaria certamente se enganando, tomando o caminho mais rápido para a resolução mesmo que não fosse o certo e ele soubesse disso – não teria sido a primeira vez. Em suma, teria de acreditar que a voz da sua consciência voltara a falar como um menino de dez anos de idade.
Mas o problema não era esse…
– Que… Quem está ai? – ele indagou em voz alta, gaguejando e girando nos calcanhares.
“Que idiota!”. Agora sim era aquela voz conhecida, a voz da sua consciência, reprimindo-o como de costume; e como quase sempre, com razão.
O problema era que havia ninguém, senão ele, ali.
O problema era que, na verdade, ele parecia conhecer a voz que lhe falou.
O problema era que parecia ser a voz de seu filho.
O problema era que seu filho morrera havia sete anos. Ou seriam sete meses? Sete dias? O tempo é engraçado, não é mesmo?
O problema era que não conseguia se lembrar ao certo. Talvez não quisesse.
O problema é que há coisas que a gente nunca esquece.

* * *
Voltou a caminhar. Na verdade havia voltado a caminhar. Dessa vez, adentrara ma das ruas, mas quando ou qual rua ele não saberia afirmar ao certo. Fez sem olhar. Se tivesse olhado entraria na rua sete. Se tivesse se lembrado.
Algumas folhas passeavam com o vento, enegrecidas pela noite escura; escura como ficavam suas vestes naquela noite; naquela noite escura, naquele lugar escuro. Vez ou outra lhe chamavam a atenção e ele desviava o olhar; quando retornava só faltava xingar a si próprio de estúpido (no mínimo), já que não conseguia responder sequer uma simples pergunta que lhe acometia a cada vez: “qual foi a última vez que olhei mesmo?”. Contudo, foi em uma dessas vezes, dessas que olhava para o lado – ou para trás, ou para baixo – na qual sua visão periférica encontrou algo mais. Algo imprevisto, uma sombra talvez, cuja sua primeira reação foi negar piamente.
Seria essa sombra a de seu filho? Do mesmo filho que acreditava ter ouvido a voz? Bem, poderia ser, mas somente se seu filho tivesse crescido uns sessenta centímetros. Só se seu filho tivesse adquirido a estatura de um jovem de aproximadamente vinte anos. E, só se seu filho estivesse vivo para poder fazer isso; se não estivesse morto.
Um calafrio. Acreditou que seu coração iria disparar, acelerar subitamente. Até seria compreensível se o fizesse. Entretanto, não o fez, o que era mais difícil de compreender. Por outro lado, isso queria dizer que ele estava bem, não? Que nada daquilo tinha de fato lhe afetado… sequer ocorrido, não é? E o fato de ele não conseguir parar de olhar para o lado ou para trás mesmo sem o movimento das folhas ou do vento para lhe chamarem a atenção, também era nada. Nada demais. Só – vamos dizer – estava olhando por precaução, certo? (tudo bem para você?)
A coisa era mais ou menos assim: John voltara outra vez a caminhar, mas deixara de olhar as fotos; já não ligava – muito – para isso ou para o cheiro das flores, ou até para o modo que aquelas estátuas se moviam, moviam seus olhos e o observavam. Bem, para ele pareciam estar observando. Dava alguns passos – dois ou três; com coragem quatro – seus pés esmagando alguns pedregulhos e o som às vezes lhe provocando, lhe enchendo a mente. Então acelerava, quase chegando a correr; subitamente parava e olhava para trás ou para o lado, só para ver que havia ninguém lá. E havia sempre ninguém.
Olhou novamente uma fotografia, pregada numa pedra, numa estrutura de pedra, e a olhou casualmente.
Meu Deus! Era impossível que não houvesse percebido antes. E também era impossível que sua mente houvesse lhe pregado uma peça tão grande durante tanto tempo. Como também era impossível que tudo aquilo fosse real. No entanto, estava vendo com seus próprios olhos…
Não havia rostos naquelas fotos. Por isso não encontrara quem estava procurando. Ele estava procurando alguém? Não! Ao menos, achava que não. Não se lembrava. O que estava fazendo ali?
Correu. Sua cabeça ia de um lado para o outro sem parar, mas seu pescoço não doía, seu cérebro estranhamente não acusava dor. Estava certo. Sombriamente certo. Não havia rastros. Não havia Lua nos céus, apenas nuvens carregadas. Algumas poucas luzes lusco-fuscas naquele lugar escuro, naquela noite escura. E não havia por quê. Aparentemente não havia por que, como aparentemente não havia dor. Embora ele pudesse afirmar com certeza que não havia. Que estava certo. Sombriamente certo.
Nossa! – de repente muitas coisas lhe vieram à mente e ficaram claras, ou talvez horrendamente mais escuras, sombrias. E vieram em formas de perguntas. O que aconteceu? Que blusa é essa? Uma jaqueta? Ele não se lembrava de ter comprado uma. De fato, não se lembrava sequer quando foi que a vestiu e por quê. A última coisa que se lembrava era de estar parado em algum lugar entre as ruas seis e sete.
Começou a entrar em pânico. Se é que já não havia entrado em pânico antes. Será? Não se lembrava ao certo. Tirou rapidamente, desajeitado, a jaqueta – como se sentisse nojo dela. Na verdade sentia, só não se lembrava por quê. Jogou-a no chão em algum lugar naquele lugar escuro, no chão de pedregulhos, e na mesma hora o vento que antes apenas brincava com as folhas, brincava com ele, passou a congelá-lo, e ele levou os braços para junto ao corpo, apertando, numa espécie de abraço em si próprio.
Talvez achasse estranho não lembrar quando os removera dali; mas isso só se se recordasse de já tê-los levado ao corpo antes.
Estava perdido, talvez como estivera toda a noite. Talvez não.
Seu corpo tremia, e não era de frio. Algumas lágrimas que lhe escapavam dos olhos confirmavam isso. Estava realmente assustado – para ele, abruptamente assustado, e sem motivo –, estava com medo. Mas nunca teve medo de ficar sozinho, mesmo antes de dormir quando era pequeno. Sua mãe sempre lhe dizia: “que menino corajoso!”. Tampouco tinha medo do escuro. O que ele temia era o fato de talvez não estar realmente sozinho.
continua…

Wuthering Heights

Postado em Noosfera em maio 22, 2009 por yohankoh

And I pray one prayer I repeat it till my tongue stiffens Catherine Earnshaw, may you not rest as long as I am living; you said I killed you haunt me, then! The murdered DO haunt their murderers, I believe. I know that ghosts HAVE wandered on earth. Be with me always take any form drive me mad! only DO not leave me in this abyss, where I cannot find you! Oh, God! it is unutterable! I CANNOT live without my life! I CANNOT live without my soul!

The times they are a-changin’ – Daddys’ dad

Postado em Noosfera com as tags , , , em março 25, 2009 por yohankoh

Come gather ’round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You’ll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin’
Then you better start swimmin’
Or you’ll sink like a stone
For the times they are a-changin’.

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won’t come again
And don’t speak too soon
For the wheel’s still in spin
And there’s no tellin’ who
That it’s namin’.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin’.

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don’t stand in the doorway
Don’t block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There’s a battle outside
And it is ragin’.
It’ll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin’.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don’t criticize
What you can’t understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin’.
Please get out of the new one
If you can’t lend your hand
For the times they are a-changin’.

The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin’.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin’.

Um ensaio sobre você

Postado em Writing... em março 10, 2009 por yohankoh

Não me é estranho o fato de você não se importar.
Como tudo no mundo, isso funciona como uma balança, e eu me importo demais.
Talvez seja o modo que você me diz olá.

Depois disso toda a coragem parece estupidez, toda tentativa insensatez.
Digo sempre as mesmas coisas, tantas e tantas vezes que acabo não conseguindo lembrar ao certo o que disse ou quando.
Escrevo e apago as mensagens uma e outra vezes como se precisasse acertar.
Isso sim! Há essa necessidade de dizer a coisa certa o tempo todo.

E você não diz nada.
Escreve algumas palavras com um sentido vago, descomrpomissadas.
E então vai embora.
Talvez seja o modo que você nunca se despede.

Você entra e sai como uma gota de veneno condenada a vagar pelo meu sangue,
visitando o coração quando ele parece curado

Me vejo procurando um motivo como procuro as palavras certas,
Novamente sou eu quem diz olá,
Tudo a partir daí parece não se encaixar
Eu sempre procuro você.

Talvez seja o modo que você me diz olá.

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Hoje é outro dia.

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